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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sociologia - A Mão invisível



Origem: Wikipédia. Introdução a Sociologia – Nelson Dacio Tomazi. http://www.geocities.com/athens/4539/adamsmith.html

Dando prosseguimento a ordem de estudos apresentadas, vamos dar um salto e entender o que é a teoria da mão invisível, pois se falamos sobre a bolsa de valores e seu funcionamento, tanto em ordem administrativa quanto em ordem prática, percebemos que por trás das idéias atuais de mercado existe uma outra ordem que rege as nações capitalistas, que veremos agora:

Mão invisível foi um termo introduzido por Adam Smith em "A Riqueza das nações" na qual ele afirma existir uma lógica interna, uma razão própria, na produção das mercadorias. Haveria um ordenamneto perfeito, quase natural, no funcionamento das atividades econômicas. Em linhas gerais é assim: uma mercadoria só seria produzida se existisse uma necessidade para o seu consumo, ou seja, o consumidor é a peça-chave para a ocorrência dessa relação. O mercado de compra e venda de mercadorias regula a atividade produtiva.

Monopólios - Adam Smith viu na formação de monopólios, ou seja, a concentração de poder do mercado nas mãos de poucos produtores (no extremo apenas um) apoiados por um Estado intervencionista, como um dos perigos ao funcionamento da economia de mercado. O monopólio é uma situação em que há uma concorrência imperfeita, onde uma empresa possui vantagens suficientes que a permite controlar os preços de certos produtos ou serviços.

Entre as causas do monopólio podemos citar as características particulares de cada mercado e a falta de regulamentação governamental. Quando em um mercado não existe concorrência ou há apenas um fornecedor, o monopolista estabelece o preço que lhe dá maior lucro tendo em vista a relação entre custo e produção. O Estado pode intervir no sentido de diminuir a criação de monopólios através de políticas antitrustes e regulação desses mercados. Sendo assim, a omissão do Estado também pode gerar a formação do monopólio.

Tendo essa idéia inicial, um empresário quando resolve, por exemplo, investir numa fábrica no nordeste, ele até pode ter subsídios do governo, mas será a oportunidade de LUCRO que o moverá e com isso trará também benefícios a outros como por exemplo os trabalhadores, comércio e outros setores da economia,isto seria uma forma da mão invisível agir no livre mercado.

Para a burguesia iluminista, a sociedade se civilizaria ao incorporar os valores que defendiam especialmente a liberdade de mercado. Um mercado livre garantiria igualdade a todos, sendo seus atores compradores e vendedores ao mesmo tempo. Todos comprariam e venderiam alguma mercadoria, não obstante as gritantes diferenças sociais: a burguesia como classe social proprietária dos meios de produção, de um lado, os trabalhadores proprietários da sua força de trabalho, de outro.

Adam Smith acreditava, como muitos filósofos da época, que a natureza é o melhor guia do homem. Deus (a "Providência") dispôs as coisas de tal forma que, se os homens e as mulheres forem deixados livres para buscar seus próprios e legítimos interesses, eles vão naturalmente agir favorecendo o melhor para a sociedade. Quer tenham ou não intenção -- e a maioria não tem -- as pessoas se ajudam umas às outras, buscando ajudar a si mesmas. Mesmo o mais ganancioso dos motivos leva freqüentemente aos mais favoráveis resultados para todos. Esse é o trabalho da "mão invisível" da Providência. [...]


Responda as seguintes questões

1 - O que é a Mão Invisível? Explique usando as suas palavras.

2 - Explique o que é o monopólio.

3 - Qual a relação que você consegue identificar entre corporativismo, e a mão invisível?

4 - O lucro das empresas depende apenas da livre concorrência ou tem que haver uma providencia para que isso aconteça?

5 - A bolsa de valores pode influenciar na dinâmica da mão invisível? Como?

6 - Seguinte os princípios da ordem mundial, a economia pode mudar uma sociedade, ou ainda precisa surgir uma revolução na sociedade para que todos possam garantir seus direitos, seja no trabalho, na vida civil, dentro de uma empresa...como ver isso nos dias de hoje?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Corporativismo feudal, moderno e contemporâneo

Corporativismo


Renato Cancian*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
O termo corporativismo tem diferentes significados, dependendo do período histórico estudado. Se considerarmos a Idade Média, o corporativismo descrevia a forma como a sociedade daquele período passou a se organizar social e economicamente, a partir do século 12.

As chamadas "corporações de ofício" eram associações tipicamente urbanas, integradas por grupos de artesãos que se dedicavam a um mesmo tipo de atividade produtiva. Por meio das corporações de ofício os preços, a qualidade, a quantidade de mercadorias produzidas e até a margem de lucro obtido com as vendas eram determinados no âmbito dessas entidades.

O trabalho artesanal assim regulamentado eliminava quase que por completo a concorrência e a competição econômica entre aqueles que desempenhavam uma mesma atividade produtiva (ofício), devido ao controle sobre tudo o que era produzido e vendido em determinada região.

Corporações de ofício e coesão social no feudalismo

Outra importante característica das corporações de ofício era a forma como eram estabelecidas as relações de trabalho. Rígidos códigos disciplinares permeavam as relações entre mestres, jornaleiros e aprendizes.

Os mestres eram donos da oficina, ou seja, eram proprietários dos meios de produção (ferramentas e matérias-primas). Os aprendizes se subordinavam aos mestres, que lhes forneciam os meios materiais e o conhecimento necessário para uma boa formação profissional (as vocações). Na fase avançada do aprendizado, os jovens aprendizes se transformavam em jornaleiros, para depois alcançarem o status de mestres.

De modo geral, as corporações de ofício da Idade Média expressavam a sociabilidade e a coesão social características dos costumes e da tradição medieval. O advento do modo de produção capitalista ocasionou a completa destruição das corporações de ofício.

Corporativismo no início do século20

Na passagem do século 19 para o século 20, o termo corporativismo ganhou novo significado e serviu para designar uma doutrina política que preconizava a organização da sociedade a partir da criação de associações (ou corporações), com o objetivo de canalizar e expressar interesses econômicos e profissionais de seus membros.

Buscava-se por esse meio eliminar, ou pelo menos controlar ou até mesmo amenizar, o conflito e as contradições inerentes ao capitalismo industrial, tendo como objetivo principal afastar o risco de ruptura da ordem social devido ao acirramento da luta de classes.

Os pressupostos ideológicos que permearam o corporativismo moderno tinham, portanto, raízes medievais no que se refere ao princípio norteador de regulamentação das atividades econômicas e produtivas de modo a assegurar a harmonia e a coesão social.

Controle repressivo da sociedade

O corporativismo se transformou rapidamente em uma poderosa ideologia de extrema-direita e antidemocrática, perdendo por completo sua face "romântica" ao se converter em um mecanismo de subordinação e controle repressivo da sociedade (principalmente das organizações sindicais e dos trabalhadores em geral) pelo Estado.

Na Europa, os regimes fascistas da Itália (liderado por Mussolini) e da Espanha (liderado por Franco) foram os principais veiculadores da ideologia do corporativismo. No Brasil, o corporativismo foi institucionalizado no âmbito do governo de Getúlio Vargas (1930-1945).

É preciso destacar, porém, que, tanto na Europa como na América Latina, nenhum regime político jamais conseguiu implantar de modo integral o modelo corporativista. Isso devido, sobretudo, à complexidade e ao grau das contradições inerentes aos diversos interesses que permeiam a estrutura de uma sociedade industrial.

Corporativismo contemporâneo

No último quartel do século 20, o termo corporativismo havia adquirido um significado inteiramente novo, que permanece inalterado até os dias de hoje. Corporativismo passou a designar uma organização sindical monopolista (trabalhista ou patronal) que agrupa e defende, seja no âmbito local, regional ou nacional, os interesses de determinado grupo profissional e econômico.

A novidade trazida pelo novo significado é que o corporativismo surge por iniciativa dos variados grupos da sociedade civil e não mais como uma imposição do Estado.

Além disso, o termo corporativismo adquiriu uma conotação extremamente pejorativa ao ser identificado como um tipo de forma associativa que tem por objetivo assegurar privilégios e proteção para seus membros e para certos segmentos ou setores sociais, em detrimento de uma coletividade maior (ou seja, da sociedade como um todo) ou até mesmo do interesse de um país diante de outro.

Sindicatos, empresas e as mais variadas instituições são acusadas de práticas corporativistas quando recorrem ao Estado ou ao governo e obtêm prerrogativas, direitos ou benefícios exclusivos que lesam outros segmentos sociais ou o interesse público. De modo geral, é com esse significado que os meios de comunicação (televisão, rádio, imprensa escrita etc.) abordam o corporativismo.
*Renato Cancian é cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: Gênese e Atuação Política - 1972-1985".